“É fruto do trabalho integrado das forças de segurança”, diz delegado regional de polícia sobre a queda no registro de homicídios em Santa Maria

“É fruto do trabalho integrado das forças de segurança”, diz delegado regional de polícia sobre a queda no registro de homicídios em Santa Maria

Foto: Mateus Ferreira (Diário)

Santa Maria está prestes a alcançar a marca de 50 dias sem registro de homicídios. O último crime contra a vida foi registrado em 13 de janeiro. O dado faz parte de um levantamento realizado pela reportagem com base nos registros oficiais desde 2022. No recorte de 2026, são consideradas as ocorrências confirmadas até o início desta semana. O período mais próximo do atual foi entre setembro e outubro de 2023, quando a cidade permaneceu 32 dias sem homicídios.

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Em entrevista nesta terça-feira (3) ao programa Bom Dia Cidade, na Rádio CDN 93.5 FM, o delegado regional da Polícia Civil, Sandro Meinerz, atribuiu o resultado ao trabalho integrado das forças de segurança e detalhou as principais ações desenvolvidas no município que contribuíram para a redução dos crimes contra a vida.

— Avaliamos muito positivamente. Esse período significativo sem nenhuma morte em Santa Maria é fruto de muito trabalho da Polícia Civil, da Brigada Militar, da Polícia Penal e de todas as instituições que atuam de forma integrada no combate à criminalidade — afirma.

Segundo o delegado, o início de 2026 apresenta um cenário diferente de anos anteriores. Em janeiro, foram registrados dois homicídios e, em fevereiro, nenhum caso. No mesmo período de 2025, conforme Meinerz, a cidade já contabilizava cinco mortes violentas.

— Esses números são dignos de comemoração. Tudo o que foi planejado e executado se traduziu na redução expressiva não só dos homicídios, mas de outros indicadores de criminalidade que também estão em queda — diz.


Ações contra lideranças criminosas

Entre as principais medidas adotadas, Meinerz destaca a transferência de lideranças de grupos criminosos organizados para fora de Santa Maria. Segundo ele, a estratégia foi decisiva para alterar o cenário de disputas ligadas ao tráfico de drogas, que historicamente motivavam parte dos homicídios na cidade.

— Quando tiramos de Santa Maria as lideranças dos grupos criminosos, conseguimos cessar aquilo que eram as respostas imediatas aos conflitos, as vinganças. Ao cortar canais de comunicação e enfraquecer essas estruturas, mexemos diretamente na dinâmica que gerava mortes — explica.

O delegado compara a organização do tráfico à lógica empresarial, com divisão de tarefas, estrutura e mercado consumidor. Por isso, além das ações contra homicídios, houve foco no combate ao patrimônio e ao capital das facções.

— Não trabalhamos apenas para prender o executor, aquele que vai lá e comete o crime, mas também quem manda e quem participa do processo decisório. O criminoso começa a perceber que sofrerá mais consequências, inclusive com remoções para outros estabelecimentos prisionais e maior fiscalização — afirma.

Segundo Meinerz, a atuação da Delegacia de Homicídios, coordenada pelo delegado Adriano De Rossi, também foi determinante para responsabilizar todos os envolvidos e reduzir a sensação de impunidade.


Sem feminicídios em Santa Maria em 2026

Outro dado destacado pelo delegado é a ausência de registros de feminicídio em Santa Maria em 2026, apesar de o Rio Grande do Sul já contabilizar 20 casos no mesmo período.

— Em Santa Maria não tivemos feminicídios neste ano. Isso é extremamente relevante, principalmente diante do cenário estadual e nacional — ressalta.

Apesar disso, os índices de violência contra a mulher seguem elevados. Dados da Polícia Civil indicam crescimento gradual nos registros de lesão corporal nos últimos anos, com tendência de alta também em 2026.

— A violência contra a mulher ainda é muito grande. Por outro lado, percebemos que as mulheres estão denunciando mais, aceitando menos a violência — afirma.

Meinerz atribui parte do resultado à agilidade da rede de proteção no município. Conforme o delegado, quando uma vítima registra ocorrência na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), os pedidos de medidas protetivas são encaminhados ao Judiciário no mesmo dia, podendo ser deferidos e cumpridos em poucas horas.

— O feminicídio não começa com a morte, ele termina na morte. Começa com ciúme possessivo, agressões verbais, ameaças e agressões físicas. Se não for estancada, essa violência pode culminar no pior desfecho — alerta.

O delegado também destaca o trabalho da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), coordenada pela delegada Elizabeth Shimomura, ressaltando as ações de repressão e prevenção.

Para Meinerz, a manutenção dos índices atuais depende da continuidade do trabalho integrado e da resposta rápida do sistema de Justiça.

— É um conjunto de fatores. Quando a rede funciona, quando há investigação qualificada e responsabilização efetiva, o reflexo aparece nas ruas — conclui.


Os dois homicídios de 2026

O primeiro caso do ano foi registrado na noite de 4 de janeiro, no Bairro Urlândia, em Santa Maria. Leonardo Detetive de Assis Taborda, 30 anos, foi morto com um disparo de arma de fogo no rosto dentro do apartamento da namorada. O suspeito, ex-companheiro da mulher, foi preso horas depois. A ocorrência foi atendida pela Brigada Militar, e a investigação ficou a cargo da Polícia Civil.

A segunda morte ocorreu na manhã de 13 de janeiro, no Bairro Tancredo Neves, durante intervenção policial. Paulo José Chaves dos Santos, 35 anos, morreu em uma abordagem da Brigada Militar durante atendimento de ocorrência descrita como surto psicótico e violência doméstica. Conforme o registro policial, ele teria tentado investir contra os PMs e acabou morto com um tiro. O procedimento segue em apuração para esclarecer todas as circunstâncias da ação.

Após esse episódio, não houve novos registros de mortes violentas em Santa Maria. 


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